Jurandir Araguaia

"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

Textos

Novo Record de Embriaguês!
 
            Existem conquistas pessoais que, seja pelo seu caráter, pela ousadia, pela disposição e talento dos que as protagonizaram, que inundam de orgulho um povo inteiro. Um concidadão goiano entrou para as estatísticas oficiais da Polícia Rodoviária Federal graças a um evento, no mínimo, lamentável.
            O Sr. Orico Marcos Clementino, 39 anos, cabeleireiro, foi detido no dia 27 de novembro alcançando o notável teor alcoólico de 2,14 miligramas por litro (mg/l), batendo a marca anterior registrada em Goiás, que era de modestos 1,188 mg/l. De acordo com uma Tabela do Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, a concentração entre 0,1 e 0,5 mg/l indica sobriedade. Entre 0,4 e 1,2 mg/l temos um estado de euforia e a situação entra no nível de euforia com perda do controle fino – literalmente inicia-se a perda da classe. Entre 0,9 e 2,0 mg/l ocorre a Excitação ocorrendo eventos vários como a perda do julgamento da crítica e as línguas se tornam, além de soltas, tremendamente perigosas - muita gente já começa a dar vexame.
            Entre 1,5 e 3 mg/l surge a Confusão e, como o próprio nome indica, temos a fala prejudicada e a desorientação, entre outros. Entre 2,5 e 4,0 mg/l a vítima entra no Estupor, ocorrendo paralisia e incontinência. Nos níveis de 3 a 5 mg/l vem o Coma podendo conduzir à morte.
            A situação de Orico era de tal modo lamentável que, tendo sido preso por volta das 11:30 hs, somente conseguiu dizer algo lúcido ao delegado por volta das 17 horas. Assim que os policiais pararam-no ao volante do fusca da sua mulher, apoiou a cabeça no volante e praticamente desacordou. Não conseguiu ficar em pé na delegacia, faltaram-lhe pernas, e veio a tombar diante de todos.
            A alternativa da polícia foi conduzi-lo ao Pronto Socorro recebendo às custas dos cofres públicos um líquido de soro glicosado para que tivesse condições de falar, disse o delegado. Após, finalmente, conseguirem iniciar o interrogatório, souberam que o mesmo não possui habilitação. A polícia foi acionada por moradores da cidade de Anápolis, da Vila Jaiara, que ficaram em pânico ao ver um veículo trafegar de maneira descontrolada. O cabeleireiro confessou ter bebido apenas duas doses de conhaque e que estava em tratamento no setor de dependentes químicos do Hospital Espírita Psiquiátrico.
            Podemos chegar a rir imaginando o estado do mesmo, mas a situação em si, diante dos inúmeros problemas que o Sr. Orico poderia ter causado, inclusive podendo dar fim a vidas inocentes, não tem nenhuma graça. As leis precisam ser rígidas e a fiscalização deve ser intensificada para que a sociedade não seja exposta a maiores riscos, além de se promoverem maciças campanhas educativas. A impunidade é um estímulo a pessoas que dirigem após beber. A diversão acaba quando vidas são postas em perigo. O record do Sr. Orico não deveria enchê-lo de orgulho, não enche a nenhum de nós, e o tapete da vergonha se encontra estendido sob os pés da sociedade, lamentavelmente.


Jurandir Araguaia

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Publicado em 29/11/2009 às 12h52


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